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IMUNOLOGIA – CAPÍTULO DEZ 

COMPLEXO PRINCIPAL DE HISTOCOMPATIBILIDADE (MHC) E RECEPTORES DE CÉLULA T – PAPEL NAS RESPOSTAS IMUNES

Dr Gene Mayer

Tradução: PhD. Myres Hopkins

 

EM INGLÊS
 
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DR MYRES HOPKINS
ESCOLA DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE DA CAROLINA DO SUL
  

LEITURA 
Male et al. Immunology
7th edição capítulo 5
 

OBJETIVOS
Fornecer uma visão geral do papel do complexo principal de histocompatibilidade nas respostas imunes.
Descrever a estrutura e função das moléculas de MHC classe I e II.
Discutir a natureza dos polimorfismos nas moléculas de MHC de classe I e II.
Descrever a estrutura do receptor para antígenos em  célula T.
Discutir a base genética da geração da diversidade de TCR.
Discutir o papel do complexo CD3 e moléculas co-estimuladoras.
Descrever a natureza da sinapse imunológica.Discutir os requisitos para a ativação da célula T.

 

I. RESENHA HISTÓRICA 

Produtos gênicos codificados no Complexo Principal de Histocompatibilidade foram inicialmente identificados como sendo importantes na rejeição a tecidos transplantados.  Além disso, genes no MHC foram considerados altamente polimórficos (i.e. na população existem muitas formas alélicas diferentes dos genes).  Estudos de endocruzamento em camundongos mortraram que genes no MHC também estavam envolvidos no contrôle tanto da respostas imune humoral como resposta na mediada por células. Por exemplo, algumas linhagens de camundongos podiam responder a um antígeno particular mas outras linhagens não e essas linhagens diferiam somente em um ou mais genes do MHC. Estudos subsequentes mostraram que existiam dois tipos de moléculas codificadas pelo MHC: Moléculas de classe I e de classe II. Moléculas de classe I foram encontradas em todas a células nucleadas (não em células vermelhas do sangue) enquanto que moléculas de classe II foram encontradas somente nas células apresentadoras de antígenos (APCs), que incluem células dendríticas, macrófagos, células B e alguns outros tipos (Figura 1).

Somente após a descoberta de como o receptor de célula T (TCR) reconhece o antígeno é que o papel dos genes de MHC na resposta imune foi compreendido.  Foi demonstrado que o TCR reconhece peptídios antigênicos em associação com moléculas de MHC.  Células T reconhecem porções de proteínas antigênicas que são ligadas covalentemente a produtos dos genes de MHC. Células T citotóxicas (Tc) reconhecem peptídios ligados a moléculas de MHC classe I e células T auxiliares (Th) reconhecem peptídios ligados a moléculas de MHC classe II.  As estruturas tridimencionais das moléculas de MHC e TCR foram determinadas por cristalografia de raios X de forma que pudemos ter uma visão clara de como os produtos de genes de TCR, MHC e antígeno interagem.

 

Figura 1
Distribuição das moléculas de MCH classe I e II nas células humanas
 

Figura 2
A molécula de MHC classe 1 tem três domínios globulares: alfa 1 (amarelo), alfa 2 (verde) e alfa 3 (azul). O domínio alfa 3 é estreitamente associado com com a molécula não codificada pelo MHC beta 2 microglobulina (rosa). Esta última é estabilizada pela ponte dissulfeto (vermelha) e é semelhante a um domínio de imunoglobulina na estrutura tridimensional. Os sítios aloantigênicos que carreiam determinantes específicos para cada indivíduo estão nos domínios alfa 1 e 2. O último também tem uma cadeia de carboidrato (azul, CHO). Existe um fosfato no domínio citoplasmático. Papaína cliva próximo da superfície externa da membrana plasmática.

II.  EStruturA DE MOLÉCULAS DE MHC CLASSE I

         As moléculas de MHC classe I são compostas de duas cadeias polipeptídicas: Uma longa cadeia α e uma curta cadeia β chamada β2-microglobulina (figura 2).  A cadeia α tem quatro regiões: Primeiro, uma região citoplasmática, contendo  sítios de fosforilação e de ligação a elementos do citoesqueleto. Segundo, uma região transmembrana contendo aminoácidos hidrofóbicos pelos quais a molécula é ancorada na membrana celular. Terceiro, um domínio altamente conservado tipo imunoglobulina α3 ao qual se liga CD8.  Quarto, uma região de ligação a peptídio altamente polimórfica formada a partir dos domínios α1 e α2.  A β2- microglobulina se associa com a cadeia α e auxilia a manter a conformação apropriada da molécula.

.        Uma análise de qual parte das moléculas de MHC classe I é mais variável demonstra que a variabilidade é mais pronunciada nos domínios α1e α2, que compreende a região de ligação ao peptídio (Figura 3).  A estrutura da fenda de ligação, revelada pela cristalografia de raios X, mostra que é composta de duas α helices formando uma parede de cada lado e oito lâminas de folha-beta formando um assoalho. O peptídio é ligado no interior da fenda e os resíduos que a cobrem fazem contato com o peptídio (Figura 4).  Esses são os resíduos que são mais polimórficos. A fenda irá acomodar peptídios com comprimento de aproximadamente 8-10 aminoácidos. Se um peptídio em particular vai ligar ou não à fenda vai depender dos aminoácidos que cobrem a fenda. Devido ao fato de moléculas de classe I serem polimórficas, moléculas de classe I diferentes se ligarão a peptídios diferentes. Cada molécula de classe I irá se ligar somente a certos peptídios e haverá um conjunto de requisitos que o peptídio deve cumprir para se ligar à fenda. Por exemplo, Figura 5 mostra que uma molécula de classe I irá se ligar a peptídios que tenham uma leucina (L) como aminoácido no terminal carboxílico e tirosina (Y) ou fenilalanina (F) como 4º aminoácido a partir do terminal carboxílico. Se essas duas condições são cumpridas um peptídio irá se ligar, independentemente de quaisquer que sejam os outros aminoácidos. Similarmente uma molécula de classe I diferente irá se ligar a qualquer peptídio que tenha uma tirosina (Y) como segundo aminoácido a partir do terminal amínico e uma valina (V), isoleucina (I) ou leucina (L) no terminal carboxílico (Figura 5). Assim, para cada molécula de classe I há certos aminoácidos que precisam estar em locais determinados no peptídio para se ligar à molécula de MHC. Essas regiões no peptídio são chamadas de “regiões de ancoragem”. 

         No MHC há 6 genes que codificam moléculas de classe I: HLA-A, HLA –B, HLA-C, HLA-E, HLA-F e HLA-G.  Entre estas HLA-A, HLA –B e HLA-C são as mais importantes e são as mais polimórficas. A tabela 1 mostra o grau de polimorfismo em cada um desses loci.

 

  Figura 3 A maior parte da variabilidade de aminoácidos em posições diferentes ao longo da cadeia alfa de moléculas de MHC classe I ocorre nas regiões alfa 1 e alfa 2. O maior polimorfismo é encontrado em aminoácidos que limitam a parede e o assoalho da fenda que liga os peptídios. Figura 4
a. Fenda de ligação ao peptídio de moléculas de MHC classe I.
b. Fenda ressaltando resíduos altamente variáveis. Os resíduos variáveis se aglomeram em volta do bolso de ligação do peptídio.
 

Figura 5
Regiões de ancoragem em peptídios que se ligam a moléculas de MHC classe I (adaptado de Janeway et al. Imunobiologia 6th Edition).

 

 
Tabela 1. Polimorfismo de genes de MHC classe I
Locus Número of alelos
(alotipos)
HLA-A 218
HLA-B 439
HLA-C 96
HLA-E, HLA-F e HLA-G Relativamente poucos alelos

CHIME
 
Apresentação do Chime mostrando as regiões de variabilidade de moléculas de MCH I e a interação da cadeia alfa com outras sub-unidades do complexo MHC I e o peptídio ligado (requer plugin do Chime. Baixe o Chime aqui)

  Figura 6 Moléculas de MHC classe II compreendem dois peptídios não idênticos (alfa e beta) que são associados não covalentemente e atravessam a membrana plasmática com o terminal N para fora da célula. Os domínios mais próximos da membrana em cada cadeia estão relacionados estruturalmente com imunoglobulinas. Com a exceção do domínio alfa 1, todos os domínios são estabilizados por pontes de sulfeto (vermelho). Ambas as cadeias alfa e beta são glicosiladas. A cadeia beta é mais curta do que a cadeia alfa (MW de beta = 28,000) e contém os sítios aloantigênicos. Há algum polimorfismo na cadeia alfa de algumas moléculas de MHC II

Figura 7
 
O maior polimorfismo de cadeia beta de moléculas de MHC classe II é encontrado entre os aminoácidos na região de beta 1 que cobre a parede e o assoalho da fenda que liga o peptídio.

III. EStruTURA DE MOLÉCULAS DE mhc classe ii

Moléculas de MHC classe II são compostas de duas cadeias polipeptídicas uma α e uma β de tamanho aproximadamene igual (Figura 6). Ambas as cadeias têm quatro regiões: primeiro, uma região citoplasmática contendo regiões de fosforilação e elementos de ligação ao citoesqueleto; segundo, uma região transmenbrana contendo aminoácidos hidrofóbicos pelos quais a molécula é ancorada na membrana celular, terceiro, um domínio α2 altamente conservado e um domínio β2 altamente conservado ao qual se liga CD4, e uma região de ligação a peptídio altamente polimórfica formada pelos domínios α1 e β1.

Assim como no caso das moléculas de MHC Classe I, u
ma análise de qual parte das moléculas  de MHC classe II é mais variável demonstra que a variabilidade é mais pronunciada nos domínios α1 e β1, que compreende a região de ligação ao peptídio (Figura 7). A estrutura da fenda de ligação ao peptídio, revelada por cristalografia de raios X, mostra que, como nas moléculas de MHC classe I, a fenda é composta de duas α helices formando uma parede de cada lado e oito oito lâminas de folha-beta formando um assoalho. Ambas as cadeias α1 e β1 contribuem para a estrutura da fenda de ligação ao peptídio. O peptídio se liga à fenda e os resíduos que cobrem a fenda fazem contato com o peptídio. Esses são os resíduos que são mais polimórficos. A fenda de moléculas de Classe II é aberta em um dos lados de forma que esta pode acomodar peptídios mais longos de aproximadamente 13-25 aminoácidos com alguns dos aminoácidos localizados do lado de fora da fenda. Se um peptídio particular irá ligar à fenda ou não vai depender dos aminoácidos que cobrem a fenda. Devido ao fato de que moléculas de classe I são polimórficas, diferentes moléculas de classe II irão ligar diferentes peptídios. Assim como no caso das moléculas de classe I, cada molécula de classe II irá ligar somente certos peptídios e haverá um conjunto de critérios que um peptídio deve cumprir para se ligar à fenda ( (i.e. “regiões de ancoragem”).

No MHC há 5 loci que codificam moléculas de classe II, cada um deles contendo um gene para uma cadeia
α e pelo menos um gene para uma cadeia β. Os loci são designados como HLA-DP, HLA –DQ, HLA-DR, HLA-DM, e HLA-DO. Dentre esses, HLA-DP, HLA –DQ, e HLA-DR são os mais importantes e os mais polimórficos. Tabela 2 mostra o grau de polimorfirmo de cada um desses loci.
 
 

IV.    Important Aspects of MHC 

         A.  Although there is a high degree of polymorphism for a species, an individual has maximum of six different class I MHC products and only slightly more class II MHC products (considering only the major loci).  

         B.  Each MHC molecule has only one binding site.  The different peptides a given MHC molecule can bind all bind to the same site, but only one at a time. 

         C.  Because each MHC molecule can bind many different peptides, binding is termed degenerate. 

         D.  MHC polymorphism is determined only in the germline.  There are no recombinational mechanisms for generating diversity. 

         E.   MHC molecules are membrane-bound; recognition by T cells requires cell-cell contact. 

         F.  Alleles for MHC genes are co-dominant.  Each MHC gene product is expressed on the cell surface of an individual nucleated cell. 

         G.  A peptide must associate with a given MHC of that individual, otherwise no immune response can occur.  That is one level of control.

          H.  Mature T cells must have a T cell receptor that recognizes the peptide associated with MHC.  This is the second level of control. 

         I.   Cytokines (especially interferon-γ) increase level of expression of MHC. 

         J.   Peptides from the cytosol associate with class I MHC and are recognized by Tc cells.  Peptides from within vesicles associate with class II MHC and are recognized by Th cells. 

         K.  Polymorphism in MHC is important for survival of the species.

 

Tabela 2. Polimorfismo de genes de MHC classe II
Locus Número de alelos
(alotipos)
 
HLA-DPA
HLA-DPB
12
88
HLA-DQA
HLA-DQB
17
42
HLA-DRA
HLA-DRB1
HLA-DRB3
HLA-DRB4
HLA-DRB5
2
269
30
7
12
HLA-DM e HLA-DO Relativamente poucos alelos

 

 

 

 

Figura 8 
O heterodímero receptor de célula T compreende duas glicoproteínas transmembrana e as cadeias alfa e beta. Há dois domínios na parte externa de cada cadeia e estas se parecem com as regiões variáveis e constantes da imunoglobulina.  Há cadeias de açúcares em cada domínio. Há uma pequena sequência semelhante à região de dobradiça que conecta os domínios tipo domínio de imunoglobulina à sequência transmembrana. Esta contém cisteínas que formam uma ponte dissulfeto. As estruturas helicoidais hidrofóbicas transmembrana são peculiares por conterem aminoácidos carregados positivamente  (aminoácidos básicos). A cadeia alfa tem dois resíduos carregados positivamente enquanto a cadeia beta tem um.

tcr-mhc-hiv.jpg (67079 bytes) Estrutura de receptor de célula A6-T ligado a molécula de MHC classe I complexada com um peptídio alterado Htlv-1 Peptídio Tax Y8a. O peptídio HIV é mostrado em cinza. A molécula de MHC classe I está em azul escuro, a microglobulina beta 2 associada está em azul claro. O receptor de célula T está em verde  e amarelo. Y. H.Ding, B. M.Baker, D. N.Garboczi, W. E.Biddison & D. C.Wiley MMDB Id: 11766 PDB Id: 1QSF Imagem preparada usando RasMol

Figura 9
Rearranjo dos genes de cadeia beta de TCR

V.     ESTRUTURA DO RECEPTOR DE CÉLULA t (TCR)

O TCR é um heterodímero composto de uma cadeia α e uma β de aproximadamente igual tamanho (Figura 8).  Cada cadeia tem uma cauda citoplasmática curta mas de tamanho suficiente para transduzir um sinal de ativação para a célula. Ambas as cadeias têm uma região transmembrana que compreende os aminoácidos hidrofóbicos pelos quais a molécula é ancorada na membrana celular. Ambas as cadeias têm uma região constante e uma região variável semelhante às cadeias de imunoglobulina. A região variável de ambas as cadeias contêm regiões hipervariáveis que determinam a especificidade para o antígeno. Cada célula T carrega um TCR de uma única especificidade (i.e. há exclusão alélica).

A base genética para a geração da grande variedade de receptores de antígenos nas células B foi discutida anteriormente (veja aula sobre genética das Ig).  A geração da grande variedade de TCRs é conseguida por mecanismos similares. Os genes da linhagem germinaativa para os genes β de TCR são compostos de segmentos gênicos V, D e J que se rearranjam durante o desenvolvimento da célula T para produzir muitas cadeias β de TCR diferentes (Figura 9). Os genes α da linhagem germinativa para cadeia α de TCR são compostos de segmentos V e J que se rearranjam para produzir as cadeias α. A especificidade do TCR é determinada pela combinação de cadeias α e β.

Há uma pequena população de células T que expressam TCRs que têm cadeias γ e δ ao invés de cadeias α e β. Essas células  gama/delta predominam no epitélio de mucosas e têm um repertório tendencioso para antígenos bacterianos e virais. Os genes para cadeias δ têm segmentos gênicos V, D e J enquanto que genes para cadeias γ têm apenas segmentos V e J mas o repertório é consideravelmente menor do que o das células alfa/beta. As células gama/delta reconhecem antígenos de maneira MHC-independente, ao contrário das células T alfa/beta.

 

TABELA 3
COMPARAÇÃO ENTRE AS PROPRIEDADES PRINCIPAIS DOS GENES E PROTEÍNAS DA IMUNOGLOBULINA (Ig) E DOS RECEPTORES DE CÉLULAS T (TCR)

GENES 

Propriedades

Ig

TCR

Muitas VDJs, Poucas C's

Sim

Sim

Rearranjo VDJ

Sim

Sim

Pares V formam região de reconhecimento antigênico

Sim

Sim

Hipermutação somática

Sim

Não

PROTEÍNAS

Formas transmembrana

Sim

Sim

Formas secretoras

Sim

Não

Isotipos com funções distintas

Sim

Não

Valência

2

1

Adaptado de Janeway e Travers, Imunobiologia

 

 

mhcII-tcr-ras.jpg (40602 bytes) Estrutura cristalina de um complexo de um receptor de célula T humana, peptídio antigênico de influenza Ha e uma Molécula de MHC Classe II. As cadeias alfa e beta das moléculas de MHC II estão em azul escuro e claro. O receptor de célula T está em amarelo e verde. O peptídio de influenza está em cinza. Hennecke, J., Carfi, A., Wiley, D. C. MMDB Id: 14648 PDB Id: 1FYT. Imagem preparada usando RasMol

CHIME
  
Clique na imagem acima para ver a estrutura rotatória e identificar cadeias de proteínas do MHC I e TCR interagindo com o peptídio do HTLV tax  (requer plugin Chime. Baixe o Chime aqui)

CHIME  
 

Clique na imagem acima para ver a estrutura rotatória e identificar cadeias de proteínas do MHC II e TCR interagindo com o peptídio do HA  (requer plugin Chime. Baixe o Chime aqui)
 

  Figura 10
O receptor de antígenos de superfície de célula T compreende oito proteínas.
(a) Duas cadeias do receptor de célula T ligadas por pontes dissulfeto que formam um heterodímero. Estas reconhecem peptídios associados com moléculas de MHC.
(b) Quatro cadeias coletivamente denominadas de CD3, que se associam com o dímero receptor de célula T e participam no seu transporte à superfície da célula. O complexo CD3 junto com as cadeias zeta, que formam um heterodímero, tranduzem o sinal depois que o antígeno é ligado.
 
 

VI.    COMPLEXO TCR E CD3

O TCR está íntimamente associado com um grupo de 5 proteínas coletivamente chamadas de complexo CD3 (Figura 10).  O complexo CD3 é composto de uma cadeia γ, uma δ, duas ε e 2 ξ. Todas as proteínas do complexo CD3 são invariantes e elas não contribuem para a especificidade de jeito nenhum. O complexo CD3 é necessário para a expressão  na superfície celular do TCR durante o desenvolvimento da célula T. Além disso, o complexo CD3 transduz sinais de ativação para a célula após a interação do antígeno com o TCR.

 

Figura 11
A. Moléculas envolvidas na interação entre células T e células apresentadoras de antígeno. Algumas citocinas produzidas por cada célula são mostradas


B. Ligantes envolvidos na interação de células T citotóxicas e suas células-alvos.

 

Figura 12
Moléculas envolvidas na interação entre células T e células apresentadoras de antígeno. Algumas citocinas produzidas por cada célula são mostradas
 

VII. A “SINAPSE IMUNOLÓGICA”

A interação entre o TCR e moléculas de MHC não é muito forte. Moléculas acessórias são necessárias para ajudar a estabilizar a interação (Figura 11). Estas incluem: 1) CD4 ligando-se a MHC de Classe II, que assegura que células Th somente interajam com APCs; 2) CD8 ligando-se a MHC classe I, que assegura que células Tc possam interagir com células alvo; 3) CD2 ligando-se a LFA-3 e 4) LFA-1 ligando-se a ICAM-1. As moléculas acessórias são invariantes e não contribuem para a especificidade da interação, que é apenas determinada pelo TCR. A expressão de moléculas acessórias pode ser aumentada em resposta a citocina, que é uma maneira pela qual citocinas modulam as respostas imunes.

Além das moléculas acessórias que ajudam a estabilizar a interação entre o TCR e antígeno em associação com moléculas de MHC, outras moléculas são também necessárias para a ativação de células T. Dois sinais são necessários para a ativação de células T – um é a união do TCR com Ag/MHC e o outro sinal vem da união de moléculas co-estimulatórias com seus ligantes. Uma das mais importantes (mas não a única) molécula co-estimulatória é CD28 em células T que precisam interagir com B7-1 (CD80) ou B7-2 (CD81) em APCs . Assim como nas moléculas acessórias, as moléculas co-estimulatórias são invariantes e não contribuem para a especificidade da interação. As interações múltiplas do TCR com Ag/MHC e as moléculas acessórias e co-estimulatórias com seus ligantes têm sido denominadas de “sinapse imunológica”.

A co-estimulação não é somente necessária para a ativação das células T. Uma falta de co-estimulação pode resultar em anergia (i.e., inabilidade de responder a antígeno) ou regulação negativa da resposta. Figura 12 mostra os possíveis resultados de uma célula T recebendo um ou ambos os sinais necessários para a sua ativação. A união do TCR com Ag/MHC em condições de não co-estimulação leva à anergia. A união somente da molécula co-estimulatória não tem efeito. A união do TCR com Ag/MHC e as moléculas co-estimulatória com seus ligantes leva à ativação. A união do TCR com Ag/MHC e a união do ligante B7 com CTLA-4, moléculas similares a CD28, levam à regulação negativa da resposta. A interação CTLA-4/B7 envia um sinal inibidor à célula T ao invés de um sinal ativador. Esta é uma das maneiras pelas quais as respostas imunes são reguladas. CTLA-4 é expressa nas células T mais tarde em uma resposta imune e isso ajuda a desligar a resposta.

 


VIII. ETAPAS CHAVE DA ATIVAÇÃO DE CÉLULAS T

A. APC deve processar e apresentar peptídios às células T

B. Células T devem receber um sinal co-estimulador – usualmente vindo de CD28/B7

C. Moléculas acessórias de adesão devem auxiliar a estabilizar a ligação de células T e APC (CD4/MHC classe II, CD8/MHC classse I, LFA-1/ICAM-1 e CD2/LFA-3)

D. Sinais de superfície celular devem ser transmitidos para o núcleo via mensageiros secundários.

E. Citocinas, incluindo IL-2, ajudam a dirigir a divisão celular


 

TABELA 4
MOLÉCULAS ACESSÓRIAS IMPORTANTES

Molécula de célula T

Ligante na segunda célula

CD4 em células T auxiliares Moléculas de MHC classe II
CD8 em células T citotóxicas Moléculas de MHC classe I
LFA-2 (CD2)  LFA-3
LFA-1  ICAM-1, ICAM-2
LFA = Antígeno associado a função leucocitária
ICAM = Molécula de adesão intercelular

 

  

 

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