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INFECCIOSAS |
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IMUNOLOGIA |
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PARASITOLOGIA |
VIROLOGIA |
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VIDEO AULA |
IMUNOLOGIA – CAPÍTULO
QUINZE
MHC: GENÉTICA E PAPEL
NO TRANSPLANTE
Dr Abdul Ghaffar e Dr Prakash Nagarkatti
Tradução:
PhD. Myres Hopkins
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EM INGLÊS |
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LEITURA:
Male et al. Immunology
7th edição, capítulo 19 e 20
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OBJETIVOS DE ENSINO
Conhecer os loci de MHC e seus produtos
Compreender a base genética da heterogeneidade do MHC em uma população
Conhecer a distribuição das moléculas de MHC em diferentes células
Saber como os antígenos de MHC são detectados (tipagem de tecido)
Compreender o papel do MHC em transplante, funções imunes e doenças
Figura 1 Tipos de enxêrtos |
DEFINIÇÕES
-
Histocompatibilidade (transplante) antígenos Antígenos em tecidos e células que determinam sua rejeição quando
enxertados entre dois indivíduos genéticamente diferentes
-
Antígenos do complexo principal de histocompatibilidade (MHC) Antígenos de histocompatibilidade que provocam uma resposta imune muito
forte e são muito importantes na rejeição
-
Complexo MHC Grupo de genes em um único cromossomo que codificam os antígenos de MHC
-
HLA
(antígenos leucocitários humanos) Antígenos MHC humanos (detectados inicialmente em leucócitos)
-
Antígenos H-2 Antígenos MHC do rato
Tipos de
enxêrtos
(figura 1)
-
Xenográficos Enxêrtos entre membros de espécies diferentes (também conhecidos como
heterólogos, xenogeneicos ou heterográficos)
-
Alográficos Enxêrtos entre dois membros da mesma espécie (também conhecido como
alogênico ou homográfico)
-
Isográfico Enxêrtos entre membros da mesma expécie com composição genética idêntica
(gêmeos idênticos ou animas endocruzados)
Haplótipo Um grupo de genes em um único cromossomo
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Figura 2 Leis do transplante |
PRINCÍPIOS DO TRANSPLANTE
(figura 2)
Um hospedeiro
imunocompetente reconhece os antígenos estranhos em tecidos
transplantados (ou células) e monta uma resposta imune que resulta em
rejeição. Por outro lado, se um hospedeiro imunocomprometido é enxertado
com células linfóides imunocompetentes, as células T imunorreativas no
enxêrto reconhecem os antígenos estranhos no tecido hospedeiro, levando
ao dano do tecido hospedeiro.
Reação hospedeiro versus enxêrto
A duração da sobrevivência do enxêrto segue a ordem: xeno- < allo- < iso-
= auto- enxêrto. O tempo da rejeição também depende da disparidade
antigênica entre os doadores e o recipiente. Antígenos de MHC são os
principais contribuintes na rejeição, mas os antígenos de
histocompatibilidade menor também participam. A rejeição devida à
disparidade em vários antígenos de histocompatibilidade menor podem ser
tão rápida quanto ou mais rápidas que a rejeição mediada por um antígeno
de MHC. Como em outras respostas imunes, há memória imunológica e
resposta secundária em rejeição a enxêrtos. Assim, uma vez o enxêrto é
rejeitado por um recipiente, um segundo enxêrto do mesmo doador, ou um
doador com os mesmos antígenos de histocompatibilidade, será rejeitado
em tempo muito menor.
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Figura 3 Doenças Enxêrto versus hospedeiro |
Reação enxêrto versus hospedeiro (GVH)
Células linfóides
histocompatíveis, quando injetadas em um hospedeiro imunocomprometido,
são rapidamente aceitas. Entretanto, os linfócitos T imunocompetentes
entre as células enxertadas reconhecem os aloantígenos e, em resposta,
elas proliferam e progressivamente causam danos aos tecidos e células do
hospedeiro. Essa condição é conhecida como doença enxêrto x hospedeiro (GVH)
(figura 3) e é quase sempre fatal.
Manifestações
comuns (figura 4) da reação GVH são diarréia, eritema, perda de peso,
mal estar, febre, dores nas juntas, etc., e finalmente a morte.
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Figure 4 Graft versus host disease |
Reação inicial enxêrto x hospedeiro crônica com espalhamento de pápulas
liquenóides quase confluentes hiperpigmentadas e aparência tipo necrose
tóxica epidérmica no joelho
Arquivo de imagem da © Bristol Biomedical. Usado com permissão
Reação tardia crônica enxêrto x hospedeiro com placas escleróticas
hiperpigmentadas nas costas
Arquivo de imagem da © Bristol Biomedical. Usado com permissão
Reação aguda enxêrto x hospedeiro com eritema palmar vívido
Arquivo de imagem da © Bristol Biomedical. Usado com permissão
Reação enxêrto x hospedeiro com alterações liquenóides iniciais
espalhadas nos lábios, crônicas e difusas Arquivo
de imagem da © Bristol Biomedical. Usado com permissão
Reação enxêrto x hospedeiro; degeneração aguda basal hidrópica com
queratinócitos necróticos interepidermais
Arquivo de imagem da © Bristol Biomedical. Usado com permissão
Reação enxêrto x hospedeiro; hiperqueratose crônica inicial e
hipergranulose, acantose irregular, corpo citóide e degeneração celular
hidrópica basal reminiscente de liquen plano
Arquivo de imagem da © Bristol Biomedical.
Usado com
permissão
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Erosão de mucosa bucal aguda em reação enxêrto versus hospedeiro
Arquivo de imagem da © Bristol Biomedical.
Usado com permissão |
Figura 5 O complexo gênico MHC humano |
O
COMPLEXO GÊNICO DO MHC
O complexo MHC
contém vários genes que controlam vários antígenos, a maioria dos quais
influenciando a rejeição alográfica. Esses antígenos (e seus genes)
podem ser divididos em três classes principais: classe I,
classe II e classe III. Os antígenos de classe I e classe II
são expressos em células e tecidos enquanto que antígenos de classe III
são representados em proteínas no soro e outros fluidos corporais (ex.C4,
C2, fator B, TNF). Antígenos de produtos de genes de classe III não têm
papel na rejeição de enxêrtos.
MHC
humano
O MHC humano
está localizado no cromossomo 6.
MHC classe I
O complexo de
genes de classe I contém três loci principais, B, C e A
e outros loci indefinidos secundários (figura 5). Cada locus principal
codifica para um polipeptídio; a cadeia alfa que contém determinantes
antigênicos, é polimórfico (tem muitos alelos). Ele se associa
com a beta-2 microglobulina (cadeia beta), codificada por um gene fora
do complexo MHC, e expresso na superfície da célula. Sem a beta-2
microglobulina, o antígeno de classe I não será expresso na superfície
da célula. Indivíduos com gene da beta-2 microglobulina defeituoso não
expressam nenhum antígeno de classe I e portanto tem uma deficiência de
células T citotóxicas.
MHC classe II
O complexo de genes de classe II também contém pelo menos três loci:
DP, DQ e DR; cada um desses loci codificam para uma
cadeia polipeptídica alfa ou beta que se associam para formar antígenos
de classe II. Assim como antígenos de classe I, os antígenos de classe
II são também polimórficos. O locus DR contém mais de um, possivelmente
quatro genes funcionais de cadeia beta.
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Figura 6A
O complexo MHC do rato |
MHC do
rato
O MHC do
rato está localizado no cromossomo 17.
MHC classe I
Consiste de dois loci
principais: K e D. Diferentemente do MHC humano, os loci de
complexos gênicos de classe I do rato não estão juntos mas estão separados por
genes de classe I e classe III (Figura 6A).
MHC classe II
O complexo gênico de
classe II contém dois loci: A e E, cada um dos quais codifica para
uma cadeia polipeptídica alfa e beta, que formam uma molécula de classe II. O
complexo gênico de classe II do rato é também conhecido como região I e
os genes deste complexo são referidos como genes Ir (resposta imune) uma
vez que eles determinam a magnitude da responsividade imune de diferentes
linhagens de ratos a certos antígenos. Produtos dos loci A e E são também
denominados antígenos IA e IE, coletivamente conhecidos como antígenos Ia.
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Figura 6B Expressão codominante dos antígenos de MHC |
ANTÍGENOS
MHC
Nomenclatura
Especificidades
de HLA são identificadas por uma letra por locus e um número (A1, B5, etc.) e os haplótipos são identificados por especificidades
individuais (ex., A1, B7, Cw4, DP5, DQ10, DR8). Especificidades que são
definidas por análise genômica (PCR), são nomes com uma letra para o
locus e um número de quatro dígitos (ex. A0101, B0701, C0401 etc).
Especificidades
do MHC (H-2) do rato são identificadas por um número. Uma vez que ratos
de laboratório são endocruzados, cada linhagem é homozigota e tem um
mesmo haplótipo. O haplótipo nessas linhagens é designado por uma letra
´pequena´(a, b, d, k, q, s, etc.); por exemplo, o haplótipo de
MHC de rato Balb/c mice é H2d.
Herança
Genes de MHC são
herdados como um grupo (haplótipo), um para cada progenitor.
Assim, um humano heterozigoto herda um haplótipo paterno e um materno,
cada um contendo três loci de classe I (B, C e A) e três loci de classe
II (DP, DQ e DR). Um indivíduo heterozigoto irá herdar um máximo de 6
especificidades de classe I (Figura 6: em cima). Similarmente, o
indivíduo irá também herdar genes DP e DQ e expressar ambos os antígenos
parentais. Uma vez que a molécula de MHC de classe II consiste de duas
cadeias (alfa e beta), com alguns determinantes antigênicos
(especificidades) em cada cadeia, e cadeias DR alfa e beta podem se
associar em combinações tanto cis (ambas do mesmo progenitor)
como trans (um de cada progenitor), um indivíduo pode ter
especificidades DR adicionais (Figura 6B). Também, há mais de um gene
funcional de cadeia beta DR (não mostrado na figura). Portanto, muitas
especificidades DR podem ser encontradas em qualquer um indivíduo.
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Crossover
Haplótipos,
normalmente, são herdados intactos e portanto antígenos codificados por loci
diferentes são herdados juntos (ex. A2; B27; Cw2; DPw6; DQw9; DRw2).
Entretanto, ocasionalmente há crossing over entre dois cromossomos
parentais, resultando assim em novos haplótipos recombinantes. Assim,
qualquer especificidade codificada por um locus pode se combinar com
especificidades de outros loci. Isso leva a uma vasta heterogeneidade na
combinação de MHC em uma dada população.
Expressão de antígenos de MHC nas células
Antígenos de MHC são
expressos na superfície da célula de maneira codominante: produtos de
ambos os genes parentais são encontrados nas mesmas células. Entretanto, nem
todas as células expressam ambos os antígenos de classe I e classe II.
Enquanto antígenos de classe I são expressos em todas as células nucleadas e
plaquetas (e eritrócitos no rato), a expressão de antígenos de classe II é
mais seletiva. Eles são expressos em linfócitos B, em uma proporção de
macrófagos e monócitos, células associadas da pele (Langerhans), células
dendríticas e ocasionalmente em outras células.
Detecção do MHC por testes sorológicos
Os antígenos de MHC
classe I são detectados por ensaios sorológicos (Ab e C). Tipagem sorológica
de tecido para o HLA era obtida, no passado, a partír de mulheres
multíparas que foram expostas a antígenos paternos das crianças durante
o parto e subsequentemente desenvolveram anticorpos para esses antígenos.
Mas recentemente, eles são produzidos por tecnologia de anticorpo
monoclonal. Com a mudança em muitos laboratórios para a tipagem de tecido
por PCR, o uso da sorologia está rapidamente diminuindo.
Detecção do MHC pela reação leucocitária mista (MLR)
Tem sido observado que linfócitos de um doador, quando cultivado com
linfócitos de um doador não relacionado, são estimulados a proliferarem. Foi
estabelecido que esta proliferação é primariamente devida à disparidade nos
antígenos de MHC de classe II (DR) e células T de um indivíduo interage com
células portadoras de antígeno alogeneico de MHC classe II (células B,
células dendríticas, células de langerhans, etc.). Esta reatividade foi
chamada de reação leucocitária mista (MLR) e tem sido usada para estudar o
grau de histocompatibilidade. Neste teste, os linfócitos testados (células
respondedoras) são misturadas com leucócitos irradiados ou tratados com
mitomicina C do recipiente, contendo linfócitos B e monócitos (células
estimuladoras). As células são cultivadas por 4 6 dias. ays. As células T
respondedoras irão reconhecer os antígenos estranhos de classe II
encontrados no doador e realizar a transformação (síntese de DNA e
crescimento: blastogênese) e proliferação (mitogênese). As células T que
respondem a antígenos estranhos de classe II são tipicamente células CD4+
TH-1. Essas mudanças são registradas pela adição de timidina (tritiada, 3H)
na cultura e monitorando sua incorporação no DNA.
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Figura 7 Ativação de CTL durante MLR |
Geração
de linfócitos T citotóxicos
Uma outra consequência
da interação entre o antígeno em MHC e célula T é a indução de linfócitos
T-citotóxicos. Quando linfócitos T são cultivados na presença de
linfócitos alogeneicos, além de realizar mitose (MLR), eles também se tornam
células citotóxicas do mesmo tipo que estimulou MLR (figura 7). Assim,
linfócitos T de haplótipo 'x' cultivados por 5 - 7 dias com linfócitos B
de haplótipo 'y' irão realizar mitose e os linfócitos T sobreviventes se
tornam citotóxicos para células do haplótipo 'y'. A indução de mitose em MLR
requer disparidade de apenas antígenos de classe II, enquanto que a indução
de linfócitos T citotóxicos (CTL) requerem disparidade de ambos os antígenos
de classe I e II. Entretanto, uma vez induzidas as células citotóxicas, as
células efetoras citotóxicas reconhecem somente antígenos de classe I para
causar citotoxicidade.
|
Figura
8 Mecanismos de destruição alográfica |
REJEIÇÃO ALOGRÁFICA
O
significado clinic do MHC é compreendido em transplante de órgãos.
Células e tecidos são rotineiramente transplantados como tratamento
de várias de doenças. Entretanto, reações do hospedeiro contra
antígenos alo do enxêrto (HVG) levam à sua rejeição e é o obstáculo
principal no transplante de órgãos. A tempo de rejeição de um
enxêrto varia com a natureza antigenic do enxêrto e o estatus immune
do hospedeiro e é determinado pelos mecanismos imunes envolvidos
(Figura 8 e Tabela 1).
Rejeição hiper-aguda
Isso ocorre em situações em que o recipient apresenta elevada
titulação de anticorpos. Um enxêrto mostra sinais de rejeição em
minutes ou horas devido a reação imediata de anticorpos e
complement.
|
| |
Rejeição
acelerada (2ª
vez;
secundária)
Transplante
de um Segundo enxêrto que compartilha um número significativo de determinantes
antigênicos com o primeiro, leva à rejeição rápida (2 - 5 dias). Isso se deve à
presence de linfócitos T sensibilizados durante a primeira rejeição. Rejeição
acelerada é mediada pela produção imediata de linfocinas, ativação de monócitos
e macrófagos, e indução de linfócitos citotóxicos.
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Tabela 1. Padrões diferentes de rejeição a enxêrto |
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Tipo de rejeição |
Tempo transcorrido |
Causa |
|
Hiper-aguda
Acelerada
Aguda
Crônica |
Minutos-horas
Dias
Dias-semanas
Meses-anos |
Anticorpos
preformados anti-doador e complement.
Reativação de
células T sensibilizadas
Ativação
primária de células T
Causas não claras; anticorpos, complexos imunes, reações celulares
lentas, recorrência de doença. |
Rejeição aguda (1ª vez; primária)
A reação normal que se segue ao primeiro enxêrto de um transplante não
próprio leva 1-3 semanas. Isso é conhecido como rejeição aguda eé mediado
por linfócitos T sensibilizados por antígenos de classe I e classe II do
alografo, participação de linfocinas e ativação de monócitos e macrófagos.
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Figura
9A
Rejeição em Transplante de Rim
Arquivo de imagem da © Bristol Biomedical.
Usado com permissão |
Rejeição
crônica
Alguns
enxêrtos sobrevivem por meses ou mesmo anos, mas de repente aparecem os sintomas
de rejeição. Isso é referido como rejeição crônica, e o seu mecanismo ainda não
está totalmente esclarecido. As hipóteses são de que se deve a infecção, causas
que levam à falha do primeiro órgão, perda de tolerância induzida pelo enxêrto,
etc.
Feto como um alografo
O feto de cruzamentos não relacionados em espécies de
mamíferos carreiam antígenos derivados de ambos os pais. Assim, o feto é um
alografo verdadeiro e a mãe deve normalmente reconhecer o feto como um estranho
e rejeitá-lo. Entretanto, tais rejeições raramente ocorrem. Dessa forma,
mamíferos se adaptaram de forma que permite a implantação de seus embriões no
útero materno e a sua subsequente sobreviência. Existem mecanismos múltiplos que
participam, dos quais o mais importante é a estrutura singular e função da
placenta.
Locais e tecidos
imunologicamente privilegiados
Há certos locais no corpo em que alografos não são
prontamente rejeitados. Estes incluem o cérebro, a câmara anterior do ôlho,
testículos, tubule renal, útero, etc. Isso se deve ao fato de que tais locais
não têm boa drenagem linfática. Também tais tecidos expressam moléculas tais
como o ligante Fas que mata qualquer célula immune que entra em contato com
esses tecidos. Além disso, tais tecidos têm outros mecanismos imunossupressores.
Similarmente, existem alguns tecidos que podem ser tranaplantados sem combiner e
sem ser rejeitado. Tais tecidos são chamados tecidos imunologicamente
privilegiados. Enxêrto de cornea é um excelente exemplo que tem elevada taxa de
sucesso quando comparado com outra forma de transplante de órgãos. A baixa
incidência de rejeição ao transplante é impressionante apesar do fato de o teste
para o antígeno de HLA do doador e recipiente não ser normalmente realizado. Há
muitas explicações para o porque tais enxêrtos são aceitos. A avascularidade da
base do enxêrto impede que aloantígenos da córnea atinjam os tecidos linfóides
regionais. Também, antígenos da córnea são mascarados. Juntos, tais mecanismos
não ativam o sistema imune do recipiente.
PROCEDIMENTOS
PARA AUMENTAR A SOBREVIÊNCIA DE ENXÊRTOS
Na prática clínica, os programas de transplante mais bem sucedidos têm sido com
rins e córneas. Entretanto, outros órgãos estão sendo transplantados com
frequência cada vez maior. O sucesso nesses programas tem sido devido à
compreensão dos mecanismos imunológicos, derinição de antígenos MHC e
desenvolvimento de agentes imunosupressores mais eficientes.
|
Figura
9B
Rejeição crônica em Transplante de Rim
Arquivo de imagem da © Bristol Biomedical.
Usado com permissão |
Seleção de doadores
Baseado nas variadas
experiências com transplantes renais, certos guidelines podem ser obedecidos
na seleção de doadores e recipientes na preparação para a maioria dos
transplantes de órgãos. O mais importante na seleção de doadores é a
identidade de MHC com o recipiente, e gêmeos idênticos constituem doadores
ideais. Enxêrtos de um irmão de HLA compatível tem 95-100% de chance de
sucesso. Um progenitor de haplótipo idêntico ou irmão deve combinar a região
HLA D. Um doador com dois haplótipos distintos com combinação razoável para
a região do antígeno D também pode ser usado. Órgãos de um cadáver que
combina duas ou um DR tem sido usado com algum sucesso. Em todos os casos,
um ABO compatível é essencial.
Preparação do recipiente
O recipiente deve
estar isento de infecção e não deve ser hipertenso. Uma em cinco transfusões
de 100-200 ml de sangue total do doador em intervalos de 1-2 semanas aumenta
a sobrevivência do enxêrto e é praticada sempre que possivel.
Imunossupressão
Terapir imunossupressiva é a parte mais essencial de alotransplantes. A mais
recente e eficiente família de agentes é a ciclosporina A, FK-506
(tacrolimus) e rapamicina. Ciclosporina A e FK506 inibem a síntese de IL-2
após a ligação Ag-receptor enquanto que rapamicina interfere com a
transdução de sinal após a interação IL2 – receptor IL2. Dessa forma, todos
os três agentes bloqueiam a proliferação de células T em resposta a
antígeno. Outros agentes químicos usados para impedir a rejeição de enxêrto
e seus modos de ação estão listados na Tabela 2. Irradiação de corpo inteiro
é usada em pacientes de leucemia antes do transplante de medula óssea.
Antisoro anti-células T (globulina antitimocítica: ATG) ou seus antígenos de
superfície (CD3, CD4, CD45 em células T ativadas, receptores CD25:IL-2)
estão sendo usados também para conseguir imunossupressão (Tabela 2).
|
Figura 10 Remoção de células T de enxêrto medular |
Estratégias para transplante de medula óssea
Em transplante de medula óssea, o fator mais crucial na seleção do doador é a
compatibilidade com o MHC classe II. Repetindo, gêmeos idênticos são doadores
ideais. Linfócitos T podem ser removidos de enxêrtos pobremente compatíveis
usando anticorpos monoclonais (figura 10). O recipiente deve estar
imunodeprimido. Células malignas devem ser eliminadas do sangue do recipiente
(no caso de malignidades nativas). Metotrexato, ciclosporina e prednisona são
frequentemente usadas para controlas a doença GVH.
|
| |
Outros
enxêrtos
Enxêrtos de córnea não contém antigenos de região D e consequentemente a
subrevivência é frequente. Pequenos enxêrtos são melhores e corticosteróides
são úteis.
Alografos de pele têm baixo índice de sucesso e a terapia imunossupressiva é
relativamente ineficiente. Entretanto ela tem sido frequentemente usada para
fornecer uma cobertura temporária para permitir a cura em lesões severas na
pele. De fato, não haverá nenhuma rejeição se o hospedeiro e o doador
combinarem perfeitamente (gêmeos idênticos) ou se o recipiente é tolerante
aos antígenos de quimeras MHC/medula óssea.
|
Tabela 2. Exemplos de agentes imunossupressores selecionados |
|
agentes |
possíveis modos de ação |
aplicações |
|
corticosteróides,
prednisona
ciclosporina,
FK-506
rapamicina
azatioprina, 6-MP
metotrexato
ciclofosfamida, melfalan |
anti-inflamatórios,
alterando tráfico de células T e PMN.
inibição da
síntese de IL-2
bloqueio do
sinal IL2-IL2R
metabolismo da
purina
metabolismo do
folato
alquilação do DNA, RNA e proteínas |
transplante de
órgão, hipersensibilidade, doenças autoimunes
transplante de
órgão
transplante de
órgão
transplante de
órgão, autoimunidade
transplante de
órgão, autoimunidade
transplante de
órgão, autoimunidade
|
Associação do MHC com doenças
Várias doenças têm
sido encontradas ocorrendo em frequências maiores em indivíduos com certos
haplótipos de MHC. As mais proeminentes entre elas são a espondilite
anquilosante (B27), a doença celíaca (DR3) e a síndrome de Reiter (B27).
Outras doenças associadas com especificidades diferentes do MHC estão
liatadas na Tabela 3. Não se conhece uma razão definitiva para esta
associação. Entretanto, algumas hipóteses têm sido propostas: similaridade
antigênica entre patógenos e MHC, hipo e hiper responsividade antigênica
controlada pelos genes de classe II estão incluidas entre elas.
|
Tabela 3. Exemplos de HLA significantes e associação com doenças |
|
Doença |
Alelos associados |
Frequência em |
Risco Relativo |
|
Pacientes |
Controle |
|
Espondilite anquilosante
|
B27
|
90
|
9
|
87.4
|
|
Doença de Reiter (síndrome) |
B27 |
79 |
9 |
37.0 |
|
Uveíte aguda anterior
(figura
11) |
B27 |
52 |
9 |
10.4 |
|
Psoriasis vulgaris
(figure 11) |
Cw6 |
87
|
33 |
13.3 |
|
Dermatite herpetiforme
(figura
11) |
DR3 |
85 |
26
|
15.4 |
|
Doença Celíaca |
DR3 |
79 |
26
|
10.8 |
|
Diabetes mellitus dependente de inslulina |
DR3/4 |
91 |
57 |
7.9 |
|
Figura 11 Psoriase na mão
Arquivo de imagem da © Bristol Biomedical.
Usado com permissão |
Psoríase
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Dermatite Herpetiforme: Mucosa Bucal
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Uveíte
Arquivo de imagem da © Bristol Biomedical.
Usado com permissão
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Você aprendeu
O papel do MHC
nas doenças hospedeiro-versus-enxêrto (HGV) e enxêrto-versus-hospedeiro
(GVH).
Genética das
duas moléculas de MHC.
O papel do
polimorfismo e crossingover na heterogeneidade de antígenos de MHC em
uma população.
Métodos para
detectar antígenos de MHC (tipagem de tecidos).
Mecanismos
imunes na rejeição de transplantes.
Estratégias para
transplantes bem sucedidos.
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